segunda-feira, 24 de agosto de 2009
terça-feira, 21 de julho de 2009
cartão postal também
L A E T E R N I D A D
D E N T R O D E M Í
H A Y Y O
ganas de ser una clochard irme a vivir bajo un puente
me compro una zodalita
las olas altas me tragan de un solo golpe
uma parte daquilo que nos move
A radiografia que vemos aí busca
busca
busca
a expressão de
pelo menos mais de um caráter
mais de um rito
mais de um estado
que é, pode-se dizer,
a manifestação do que seja a pessoa.
(A mancha azulada: seria tão bom se por aí nos enxergássemos manchas azuladas?)
Não satisfaria os desejos
o bom e o ruim e o feio e o bonito e tal
- tudo a gente quer que esteja atribuído, ali, na pessoa.(?)
Mas o que temos, no dia-a-dia
é o corpo vestido
que se transporta
emite sons
se conforma a um espaço depois a outro
reage a sinais
cria outros
reproduz o eco dos acontecimentos
ih
mas está involucrado no limite da pele
- fisicamente, a embalagem.
Então, o raio xis que vemos aí busca.
Busca o que não se vê
e por isso
não se convive com
não se conhece
mas que é
a variável imaginada
de um dentre os incontáveis elementos que compõem o que pessoas são.
cartão postal
Esta luz,
esta mesa de trabalho,
o papel cor de limão,
as unhas descascadas,
de vez em quando,
assim como uma gripe,
uma tontura no meio da tarde,
o sono que entrega às sete,
as coisas encravadas no ar
hão de precisar de ti,
clamar tua forma,
existir por tua estada no mundo ainda que não durem a temperatura do corpo,
ainda que só o meu corpo possa exsudar algo de calor,
ainda que esses instantes comecem,
breves,
e que em mim termine o intervalo,
e que as mãos gelem,
os lábios se apertem,
pois não você não está,
é fato,
em nada,
a não ser em meu estado de graças ou nostalgia,
um cão na rua que se aproxima do esgoto,
(ali o cão terá mais calor que o esgoto, imagino, não que haja comparação, pois não há).
Por isso a frase se faz,
e acabo outra.
As frases são para emprestar
e enquanto têm, compõem,
mas também tomam respiração.
Até a frase,
estrutura completamente incompatível com a vida,
é fôlego.
Nisto que é uma radiografia de mim,
o pleonasmo,
a elipse,
a hipérbole,
na inutilidade,
a pessoa vem em sua total condição:
cartão postal.