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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

terça-feira, 21 de julho de 2009

cor corpo

cartão postal também


miro la estrella a las tres de la mañana debil azul oscuro
L A E T E R N I D A D
hago caso de hacerme un caracol arrodillada con el almohadón
y no me tiro diez pisos abajo
H A Y Y O
D E N T R O D E M Í
H A Y Y O
ganas de ser una clochard irme a vivir bajo un puente
aprender la rayuela una y otra vez una y otra vez
cuando hay tiempo y silencio, lloro
vivo de invenciones bellas
crear y crear
una y otra vez
para no hacer ruido
para no dejar abiertas las puertas
prendidas las luces
todo lo que soy trasborda
y me voy recogiendo por las calles en el centro de porto alegre
mirando los ambulantes que venden de todo
collares, anillos de semillas
remeras con la cara de che y lennon
el mac donald's alto al final de la vereda
una tienda de piedras preciosas y energeticas sacadas del suelo riograndense
un muro cerca la ciudad que aun así está a la orilla de un río
una mujer fuma acostada en un banco de la plaza de alfandega
los hombres bien vestidos (como en el barrio de tribunales)
las chicas abogadas cargan procesos con sus tailleurs
y zapatos de punta y tacos finos
E S C U C H O B E T H A N I A H A C E C A L O R
marcho para la tienda
me compro una zodalita
y me digo:
la tardecita de porto alegre tiene ese qué se yo, viste?
salgo de casa por arenales,
las olas altas me tragan de un solo golpe
sal y cuerpo de eliana por todos lados
el colectivo rojo me abre la puerta
desde el alma agradezco
tengo un viaje por adelante
P U E D O S O Ñ A R

olho

uma parte daquilo que nos move

A radiografia que vemos aí busca

busca

busca

a expressão de

pelo menos mais de um caráter

mais de um rito

mais de um estado

que é, pode-se dizer,

a manifestação do que seja a pessoa.

(A mancha azulada: seria tão bom se por aí nos enxergássemos manchas azuladas?)

Não satisfaria os desejos

o bom e o ruim e o feio e o bonito e tal

- tudo a gente quer que esteja atribuído, ali, na pessoa.(?)

Mas o que temos, no dia-a-dia

é o corpo vestido

que se transporta

emite sons

se conforma a um espaço depois a outro

reage a sinais

cria outros

reproduz o eco dos acontecimentos

ih

mas está involucrado no limite da pele

- fisicamente, a embalagem.

Então, o raio xis que vemos aí busca.

Busca o que não se vê

e por isso

não se convive com

não se conhece

mas que é

a variável imaginada

de um dentre os incontáveis elementos que compõem o que pessoas são.



cartão postal


Esta luz,

esta mesa de trabalho,

o papel cor de limão,

as unhas descascadas,

de vez em quando,

assim como uma gripe,

uma tontura no meio da tarde,

o sono que entrega às sete,

as coisas encravadas no ar

hão de precisar de ti,

clamar tua forma,

existir por tua estada no mundo ainda que não durem a temperatura do corpo,

ainda que só o meu corpo possa exsudar algo de calor,

ainda que esses instantes comecem,

breves,

e que em mim termine o intervalo,

e que as mãos gelem,

os lábios se apertem,

pois não você não está,

é fato,

em nada,

a não ser em meu estado de graças ou nostalgia,

um cão na rua que se aproxima do esgoto,

(ali o cão terá mais calor que o esgoto, imagino, não que haja comparação, pois não há).

Por isso a frase se faz,

e acabo outra.

As frases são para emprestar

e enquanto têm, compõem,

mas também tomam respiração.

Até a frase,

estrutura completamente incompatível com a vida,

é fôlego.


Nisto que é uma radiografia de mim,

o pleonasmo,

a elipse,

a hipérbole,

na inutilidade,

a pessoa vem em sua total condição:


cartão postal.




colo (da mão)